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Tudo começa em um trem prestes a
atingir seu destino, mas isso é apenas o primeiro evento
de uma longa jornada de muitas horas que prometem fazer
história no mundo dos jogos eletrônicos. O retorno de
Gordon Freeman pode ter demorado mais de cinco anos, mas
valeu cada minuto dessa ansiosa espera.
Vejo que a HEV Suit ainda
cai como uma luva
Os primeiros minutos lembram os primeiros passos do
cientista barburdo no orginal: dentro de um trem, sem
muitas explicações prévias. A diferença é que agora
Gordon não está sendo contratado ou sequer chegando em
um lugar plausível - aparentemente a Terra é um lugar
diferente, mas o game deixa transparecer essa mudança a
conta-gotas... de adrenalina, é claro.
Revelar qualquer outro detalhe da história seria um
crime. Basta dizer que as próximas vinte horas serão
repletas de fugas frenéticas, tiroteios emocionantes,
perseguições em diferentes veículos no melhor estilo
Hollywoodiano, conversas cativantes que ajudam a contar a
história. Tem até uma fase inteira que homenageia os
filmes clássicos de zumbis. Apesar dessa enorme salada de
frutas, a produtora Valve não deixa a peteca cair:
"Half-Life 2" nunca fica frustrante e nem deixa
você perder sua atenção por um segundo sequer, deixando
o jogador com vontade de ver o final logo na primeira
tentativa, apesar de suas cerca de 15 horas de duração.
Um dos poucos defeitos do game são longas telas de
"loading", que podem durar minutos em alguns
casos.
Para quem amou o original, todos os pequenos detalhes estão
de volta: os ambientes parecem lugares de verdade, com
banheiros, televisores; a narrativa mostra pessoas
cuidando de suas vidas em segundo plano e matar
"headcrabs" com o bom e velho pé-de-cabra ainda
é tão gratificante como antes. Fãs reconhecerão boa
parte do armamento, que foi resgatado do original, mas as
poucas novidades são extremamente criativas e úteis.
Um homem de poucas
palavras, não?
Gordon Freeman não abre a boca do começo ao fim da
aventura, mas os diálogos (monólogos?) são um dos
pontos mais impressionantes da aventura. Além dos
interlocutores serem muito realistas e bem dublados, os diálogos
são naturais e não quebram o ritmo da aventura. Enquanto
a maioria dos jogos pára quando precisa desenrolar a
trama ou colocar um tutorial, esse movimento é contínuo
e ininterrupto em "Half-Life 2". Momentos memoráveis,
como a apresentação da arma anti-gravitacional, prometem
fazer história e serem muito copiados.
Algumas pessoas podem ficar um pouco decepcionadas com o
fato de muitas perguntas não serem respondidas - mas, de
certa forma, isso é proposital: como no primeiro
"Half-Life", o game não está aí para criar um
universo definido nos mínimos detalhes, e cabe aos fãs
preencher algumas lacunas nas suas cabeças.
se
não está quebrado... arremesse!S
Ao contrário do que muita gente pode estar pensando,
"Half-Life 2" não tenta ser um jogo revolucionário.
A ação em si é manjada e não oferece quase nada inédito:
a produtora Valve não tentou ser radical aqui. A meta foi
fazer um game divertido e funcional. O grande destaque no
jogo faz sucesso exatamente por ser tão discreto que não
é percebido facilmente: a simulação física.
Todos os objetos de "Half-Life 2" se comportam
como na vida real: eles têm diversas características
como peso e resistência. Mas ao contrário da maioria dos
outros títulos do gênero, eles são completamente
manipuláveis: é possível barrar uma porta com um armário,
matar inimigos jogando serras giratórias contra eles,
usar um radiador como escudo. Com paciência, é até possível
ignorar alguns quebra-cabeças do game montando pilhas de
objetos para ultrapassar alguns obstáculos que
normalmente deveriam ser cruzados de outra forma. A
criatividade do jogador é o limite, e isso deixa o mundo
de "Half-Life 2" ainda mais imersivo.
A interação mais pesada com outros personagens ficou
guardada para os momentos finais do game, em uma pequena
guerrilha virtual que não deixa de impressionar. Nesses
momentos, a inteligência artificial do game deixa escapar
alguns momentos de burrice, mas nada que prejudique demais
o jogo.
Uma pausa contemplativa
Assim como vários outros aspectos do game, o ponto forte
do visual é sua simplicidade realista. Enquanto
"Doom 3" se destacou pelos seus cenários cheios
de contrastes de luz e sombra, "Half-Life 2" tem
uma iluminação difusa que proporciona uma fotografia única
ao game - e especialmente notável na passagem do dia para
a noite e vice-versa.
Além disso, o uso de texturas de altíssima resolução e
muito bem produzidas ajuda a caracterizar os muitos
ambientes distintos da aventura - seja no chão com
lajotas em um prédio caindo aos pedaços, nas madeiras
com detalhes nos veios ou nas paredes de concreto
cuidadosamente pichadas, cada superfície não parece um
polígono pintado, mas sua contraparte real.
O verdadeiro teste acontece pouco antes de um terço da
aventura, durante um pôr-do-sol em um lago: dá até
vontade de parar só para observar o espetáculo da luz e
seu reflexo na água.
Infelizmente...
Tudo que é bom eventualmente acaba, e "Half-Life
2" não escapa disso. Depois do jogador passar por
todas as aventuras malucas, a história chega ao fim sem
dar muitos motivos para ser experimentada novamente. É
quase deprimente pensar que provavelmente passarão anos
até que outro game tão elaborado apareça de novo - por
isso, é melhor começar a rezar para que a Valve leve
adiante a idéia a promessa de oferecer conteúdo episódico
para download.
Mas, de certa forma, talvez nem isso seja tão ruim assim.
Se a tecnologia Source receber pouco menos da metade dos
MODs que o primeiro "Half-Life" teve, jogadores
já terão mãos cheias por muitos anos - sem contar que o
game já chega com "Counter-Strike:
Source" e "Half-Life:
Source", versões turbinadas de seus
originais. Mesmo assim, a ausência de um multiplayer
usando os recursos (ESPECIALMENTE a arma de
anti-gravidade) da aventura é de partir o coração.
Se você ainda não comprou "Half-Life 2", não
deve esperar mais nem um segundo. Entre sua capacidade de
prender pessoas dos gostos mais variados e um grau de
dificuldade bem acessível, esse é o tipo de jogo que não
deveria faltar na coleção de ninguém.
Half-Life vai virar filme?
A
desenvolvedora Valve Software está realizando pesquisa
para avaliar as possibilidades da produção de um filme
baseado no contagiante shooter. Veja mais.
A
Valve software revelou há alguns dias que está mantendo
contato com muitos produtores cinematográficos
interessados em encabeçar a criação de um filme baseado
no mais famosos dos shooters em primeira pessoa,
Half-Life. A desenvolvedora está colhendo informações,
como por exemplo, o que os fãs gostariam de ver no filme
e se eles aprovariam a idéia de ter Half-Life nos
cinemas. Torçamos para que o filme (se ele for realmente
produzido) não repita os tantos fiascos já vistos.
Autor:
Carlos Alexandre |